terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Há 100 anos, “Operação Xangô” destruía terreiros; hoje governo de Alagoas pede perdão


Há 100 anos, Maceió vivia noite de terror com invasão e depredação de templos religiosos e espancamento de negros e adeptos do candomblé
Foto de Tércio Capelo
O governador do estado de Alagoas, assinou nesta quarta-feira (1º), às 17h 30, um pedido de perdão oficiala todas as comunidades de terreiros de Alagoas, pelas atrocidades que marcaram o dia 1º de fevereiro de 1912, conhecido como a Quebra do Xangô ou Quebra de 1912. A assinatura foi feita no final do cortejo popular, marcado para sair às 15h da Praça D. Pedro II, pela Rua do Sol até a Praça dos Martírios, trecho que era considerado importante ponto de confluência de terreiros de Maceió.
Alagoas lembra, nesta quarta-feira (1º), os cem anos do dia em que – nas vésperas do Carnaval – uma massa de populares, liderada por veteranos de guerra e políticos, invadiu, depredou e queimou os principais terreiros de Xangô em Maceió, espancando líderes e pais de santo dos cultos afros. Considerada um dos mais emblemáticos casos de racismo e intolerância religiosa do Brasil, a noite fatídica daquele 2 de fevereiro de 1912 ficou conhecida como “O Quebra de Xangô”.
O movimento foi organizado por integrantes da Liga dos Republicanos Combatentes em Maceió, sob a liderança do sargento do Exército Manoel da Paz, veterano da guerra de Canudos, na Bahia. “Muitos foram pegos de surpresa e apanharam pelas ruas até chegar à delegacia, na calada da noite. Outros tiveram a oportunidade de fugir para estados como Bahia, Pernambuco e Sergipe”, assegura o professor de História e pesquisador Célio Rodrigues, o “Pai Célio”, um dos grandes difusores da religião de matriz africana no Estado.
Também denominada como Operação Xangô, o movimento tinha um forte viés político com o objetivo de afastar do poder o então governador do Estado, Euclides Malta, que já administrava Alagoas por 12 anos seguidos e era considerado um amigo dos líderes religiosos massacrados.
Imprensa oposicionista
Na época do Quebra, o movimento que desencadeou a postura intolerante contra a religião de matriz africana contou com o apoio da imprensa oposicionista, notadamente o Jornal de Alagoas. Nos trechos de seus artigos e matérias, termos pejorativos sempre eram direcionados ao governador por este se relacionar com os xangôs. Na série de matérias intituladas “Bruxaria”, publicada nos dias consequentes ao episódio, a suposta relação de Euclides Malta com os xangôs denota a mãe de santo Tia Marcelina como sua “feiticeira” protetora.
Segundo as referidas reportagens, o “nefasto governo” de Euclides Malta e as ditas “casas de feitiçaria barata” encontravam-se extremamente difundidas pela cidade de Maceió e se relacionavam “na mais estreita afinidade”. De acordo com o jornal, “sabia-se que a grande força em que o “inepto oligarca” apoiava o seu governo era o xangô e, com essa confiança no fetiche ignorante, mantinha em completa debandada todos os outros poderes orgânicos do Estado”, diz um trecho da publicação em sua edição de 4 de fevereiro.
É notável a descrição de cunho pejorativo de um suposto ritual relatado pelo Jornal de Alagoas na época: “Na casa da Tia Marcelina, a mais frequentada pelo Sr. Euclides e os seus amigos, (em culto) realizado próximo às novas eleições, Tia Marcelina teria pressentido a vitória do adversário de Euclides Malta. Ela preparou a sessão, de acordo com o chefe, e, às 8 horas mais ou menos, o Soba (espécie de chefe de tribo) entrou nessa casa, em uma das ruas mais esconsas da Levada, acompanhado de um dos seus áulicos, que bem conhecemos. Os trabalhos já haviam principiado e a negra mãe de santo, modulando sorrisos de megera, olhares esgazeados de víbora saciada, correu com a mão o reposteiro de uma saleta contígua e lá ficou o ‘Ogum-taió’ da Praça dos Martírios, guardado às vistas dos seus irmãos e do pessoal que na rua avidamente olhava as danças e os requebros da Tia Marcelina”.
Tia Marcelina, segundo os historiadores, foi a fundadora do candomblé em Alagoas e a então mais famosa mãe de santo do Estado, tida como espécie de mentora espiritual do governador Euclides Malta. De acordo com os relatos, ela teria resistido à invasão de seu terreiro e recebido golpes de sabre – espécie de espada – enquanto lutava contra o ataque. A líder negra não resistiu e morreu meses depois.
Viés político
Na linha de frente do movimento que provocou o Quebra de Xangô, estavam políticos locais, como Clodoaldo da Fonseca, então candidato a governador na época; Fernandes Lima, seu vice; e Manuel da Paz, o sargento militar responsável pela liderança da Liga e da devassa aos terreiros alagoanos.
“Foi uma perseguição ao governador Euclides Malta, que tinha ligação com os terreiros e havia recebido até o título de papa do xangô alagoano, o Soba. O interessante é que Euclides era um fervoroso católico”, conta o historiador, médico e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL), Fernando Gomes.
No fim das contas, a oposição conseguiu destituí-lo e, com isso, a Liga dos Republicanos Combatentes – junto com o apoio popular – fez cair sobre os terreiros toda a fúria nos centros.
De acordo com Gomes, o episódio do Quebra de Xangô teve grande importância para apressar a renúncia de Euclides Malta, que aconteceu em 13 de março de 1912. “Em 12 de julho de 1912, Clodoaldo Fonseca, figura de relevo nos quadros do Exército e primo-irmão de Hermes da Fonseca, é empossado governador, juntamente com o vice José Fernandes de Barros Lima”, completa o vice-presidente do IHGAL.
“Os relatos são de que a multidão induzida pela Liga entrou quebrando tudo que via pela frente, no auge do ritual, quando alguns seguidores ainda tinham o santo na cabeça. Bateram nos filhos de santo e queimaram objetos sagrados numa grande fogueira”, diz Fernando Gomes.
O pesquisador Célio Rodrigues acrescenta que foi uma perseguição também aos negros em geral. “Essa Liga foi feita para dizimar as religiões de matriz africana e, por tabela, os negros, pois naquela época Maceió era habitada por muitos ex-escravos e seguramente uma das maiores cidades negras do Brasil”, defende ele.

Fonte: Brasil de Fato com informações da Agência Alagoas
Postado por Érika

Incra/PB elabora relatórios de territórios quilombolas


A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Paraíba irá elaborar relatórios antropológicos de seis novos territórios quilombolas ainda este mês. O projeto contempla as comunidades Ipiranga, no município de Conde (Litoral Sul); Fonseca, em Manaíra (Serra do Teixeira); Vaca Morta e Barra de Oitis, em Diamante (Sertão); Pitombeiras, em Várzea (Seridó Ocidental) e Contendas, em São Bento (Sertão). O objetivo da ação é agilizar o processo de regularização e concessão do título de propriedade da terra às cerca de 390 famílias instaladas nos respectivos locais. O resultado deste trabalho será divulgado ainda no primeiro semestre deste ano.
Para mais informações, acesse o site da Fundação Cultural Palmares:http://www.palmares.gov.br.

Mais de 4 mil índios vivem acampados em beiras de estradas


Mais de 700 famílias indígenas, ou cerca de 4 mil pessoas, vivem em acampamentos à beira de estradas nos estados do Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. De acordo com levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), são cerca de 90 acampamentos, onde os índios vivem de forma precária, semelhante aos dos sem-terra, mas em agrupamentos comparativamente menores. O Mato Grosso do Sul é o que reúne o maior número de acampamentos, 31, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 21, segundo o Cimi.
“As maiores dificuldades para os índios acampados é conseguir água potável e acesso à educação. Nas aldeias regularizadas são abertos poços artesianos, o que não acontece nos acampamentos”, afirma Silvio Raimundo, coordenador da Funai em Ponta Porã (MS) responsável por 30 mil índios em 12 municípios da região.
Segundo Raimundo, o número de índios acampados é bem maior se forem incluídos os que estão dentro de fazendas, à espera de regularização de terras. Raimundo estima em 5 mil a 6 mil os acampados apenas na região de Ponta Porã. Depois de dois anos fora de qualquer escola, 58 crianças do acampamento Ypo′y, no município sul-matogrossense de Paranhos, voltarão a estudar este ano graças a uma liminar obtida pela Funai, que obriga a prefeitura a providenciar vagas para as crianças indígenas e impede que o dono da Fazenda São Luís, onde o acampamento está instalado, impeça a passagem de ônibus escolar. Neste acampamento, segundo Raimundo, moram 70 famílias.
Agora, a Funai negocia com a prefeitura de Aral Moreira vagas em escolas para 88 crianças do acampamento Tekoha Guaiviry, área de conflito onde os índios foram atacados em novembro passado. O índio Nisio Gomes está desaparecido desde então.
“A situação é muito precária. Essas famílias vivem da cesta básica entregue pelo governo e nem a educação está garantida”, afirma o secretario geral da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner.
A falta de água potável aumenta o risco do surgimento de doenças. No Rio Grande do Sul, onde os acampamentos estão presentes em pelo menos 11 municípios, há registro de tuberculose. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados
sete casos da doença em índios de duas famílias acampados em Capivari do Sul (RS), diagnosticados no último semestre.
“Todos estão recebendo tratamento por meio de uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Capivari. No total, 38 índios guarani fazem parte do acampamento, no litoral gaúcho. Os outros indígenas desse acampamento também estão sob medicação preventiva devido ao contato com os doentes”, diz a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Segundo a Sesai, equipes prestam atendimento uma vez por semana nos acampamentos no Mato Grosso do Sul, que seriam apenas 20. Quanto ao fornecimento de água potável nos acampamentos, o órgão afirma que “a legislação não permite fazer qualquer obra ou investimento nestas terras, por não serem legalizadas”.
Além da situação irregular, os índios acampados não conseguem estabelecer lavouras, que complementam o sustento. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, as cestas básicas são distribuídas quinzenalmente pela Funai.
“Sem-terra, eles não tem como produzir nada. Entendemos que todas as soluções são paliativas até que se decida a questão principal, que é a ocupação definitiva de terras pelos diversos povos”, afirma Raimundo.

Por: Diário de Pernambuco
Da Agência O Globo

postado por Érika

Tradição e modernidade no carnaval


Cerca de 20 blocos se apresentam durante nas ruas da cidade, acompanhados de bandas de percussão com instrumentos típicos como o “mocho”, atraindo turistas, curiosos e moradores
O Carnaval de Santo Antônio de Leverger preserva todos os conteúdos e a criatividade da cultura ribeirinha e pantaneira. “Boi-a-serra, Siriri, Cururu” e tradições folclóricas como “Mãe D’água, Pé de Garrafa, Negrinho D’água, Mãe do Morro, Boitatá, Ema, Cavalo”, representados de forma alegórica no carnaval que mistura tradição e modernidade.
Cerca de 20 blocos se apresentam durante o dia nas ruas da cidade, acompanhados de bandas de percussão com instrumentos típicos como o “mocho”, o que acaba atraindo turistas, curiosos e moradores para a apreciação das apresentações populares. À noite saem os três blocos principais da cidade “Os Garanhões da Madrugada”, “Seu….que Brilha”, e “Pêlo meu Saco.”
O Carnaval de Santo Antônio de Leverger reúne a cada ano milhares de foliões graças aos investimentos em infra-estrutura e principalmente segurança. Este ano a expectativa é reunir cerca de 100 mil foliões. O evento é um importante gerador de renda para o município com a criação de mais de dois mil empregos diretos.
“Só o nosso Bloco, Os Garanhões da Madrugada, gera a cada ano 500 empregos diretos, entre músicos, seguranças, dançarinos, apoio técnico, pessoas que trabalham nos restaurantes e bares da nossa concentração”, garante Didi Padilha, dos Garanhões. Ele destaca que muitas famílias procuram o bloco para trabalhar ou montar um negócio, fomentando a economia da cidade.
A cidade tem a maior concentração de contingente populacional do Centro-Oeste em blocos de rua, documentado pelo IBGE e Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, Ministério da Cultura, Secretaria de Estado de Cultura do Estado de Mato Grosso.
Nesse cenário destaca-se o Bloco carnavalesco “Os Garanhões da Madrugada” que, através de seus 17 anos de existência, vem fomentando o valioso patrimônio Cultural de forma a buscar sua preservação. Todos os anos grupos de Siriri e Cururu se apresentam no bloco unindo a tradição com o carnaval moderno realizado pelo Bloco.
“Uma de nossas maiores expressões culturais é o povo nas ruas, brincando carnaval, e é nesse ritmo de folia o que o nosso bloco nasceu, reunindo milhares de pessoas em cinco dias de folia desde 1995”, destaca Allan Benitez, diretor do Garanhões. (com assessoria)

Da Redação – Diário de Cuiabá
Postado por Érika