quarta-feira, 4 de julho de 2012

FILME: "Lixo Extraordinário"




É do Brasil: Filmagem de Lixo extraordinário rendeu prêmios no Festival de Berlim e de Sundance.

A produção brasileira indicada ao Oscar na categoria melhor documentário estreou em Brasília na primeira semana de fevereiro (2011). O longa Lixo extraordinário, dirigido por Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley, mostra como o artista plástico Vik Muniz transforma o lixo do maior aterro sanitário da América Latina em obra de arte. A atitude beneficiou os catadores de material reciclado e rendeu ao filme prêmios no Festival de Berlim e de Sundance.


Trailer:



Segue o link para assistir o filme “Lixo Extraordinário”:



Retirado:http://antropologiasocial.com.br/


Por: Carolina Albuquerque

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Luke Duggleby e sua Antropologia Visual



Luke Duggleby é um fotógrafo britânico com uma licenciatura em fotografia pela Universidade de Gloucestershire. Atualmente morando em Bangkok resolveu investir em projetos pessoais na Índia, Indonésia, China e Camboja. Sua fotografia foi destaque no The Sunday Times Magazine (UK), The Independent on Sunday Review, Stern, a revista Monocle, TIME, The Telegraph, França GEO, GEO Alemanha, The New York Times, The Times (Reino Unido), entre outros.

Algumas das fotografias abaixo relatam rituais e/ou fatos cotidianos dos nativos destas regiões, como é o caso do Kathakali. Kathakali é uma das formas mais antigas de teatro do mundo. Originado da área do sudoeste da Índia, hoje conhecido como o estado de Kerala, é uma clássica “dança-drama” de e está enraizada na mitologia hindu..
Luke se aventurou pela região onde estas fotografias foram tiradas a primeira vez em 1999, e, ao longo dos anos retorna para documentar as pessoas e as culturas que o cativam por mais de uma década. Seu modo de documentar todo drama e beleza das diferentes culturas e povos desta região remete muito ao trabalho de antropólogos como Margaret Mead e Gregory Bateson.


Algumas de suas fotografias:
















Por: Carolina Albuquerque

Olhar fotográfico, o olhar Etnográfico


Por: Ondina Fachel Leal
A fotografia como a etnografia, é um aprendizado da observação paciente, de elaboração minuciosa de diferentes estratégias de aproximação com o objeto, de uma vigilância constante e de prontidão para captar o acontecimento no momento do acontecimento. A dupla capacidade da câmara de subjetivar e objetivar a realidade, de fazer distanciar-nos e aproximar-nos do objeto, nos dá uma consciência aguçada de que se é responsável por este processo de apreensão da realidade, de que se é sujeito de um ato de conhecimento.
O próximo e o distante, o exótico e o íntimo, categorias caras à antropologia, são noções intrínsecas ao fotografar porque referem-se ao íntimo do outro: o domínio do privado é aqui o domínio de uma alteridade e, chegar ao outro significa penetrar neste domínio.
O ato de fotografar nos traz uma noção de posse de realidade e, ao mesmo tempo, a certeza da impossibilidade desta posse. Apreendemos apenas fragmentos. Para que se produza uma imagem há a necessidade de reconstrução e de um processo de revelação de realidade. Captamos luz e sombras, brincamos com o tempo e congelamos o instante. Cria-se um tempo único: realidade imobilizada, imagem sempre roubada (ainda que o roubo tenha sido consentido) a ser exposta e consumida. Fotografar é aprender um olhar sobre o outro, este olhar é reificado em uma imagem, imagem esta que tenha o poder de captar olhares de outros outros. Que seria do fotógrafo se não contemplassem suas imagens? Fotografando, somos um olhar que busca olhares. O olhar capaz de seduzir outro olhar é sempre perturbador.
Fotografar é um cultivo didático do prazer da percepção do detalhe e do todo, que passa ou não pela técnica da objetiva, da grande-angular, do enfocar e do desenfocar, dos diferentes tons possíveis na impressão e, enfim, da revelação da imagem, que não é mais a coisa fotografada (mas plena de vestígios do real): é realidade revelada.

Texto apresentado e discutido na aula de Antropologia do Som e da Imagem ministrada pela Profa. Dra. Claudia Turra/UFPel

Retirado:http://antropologiasocial.com.br/


Por: Carolina Albuquerque



As contribuições da Antropologia para a biomedicina


Por Cátia Simone da Silva
Discente Bacharelado em Antropologia UFPel


Este trabalho foi desenvolvido na última prova presencial da disciplina de Antropologia da Saúde, no quinto semestre do curso de Antropologia da UFPel, ministrada pela Dra. Profa. Elen. Tínhamos que discursar sobre as contribuições da antropologia para a biomedicina.
As contribuições da Antropologia para a construção de um novo paradigma de saúde e doença está na forma como ela atua, observando que há uma construção social e cultural sobre como as pessoas vêem o seu corpo, sua saúde e doença, esta construção se dá por diversos fatores, faz parte da história de vida dos indivíduos, do ambiente em que vivem, da classe social que pertencem, sua idade, gênero, religião, e também da interação com outras culturas.
Então o objetivo da antropologia da saúde não é descrever o que é corpo, saúde e doença para um indivíduo ou um  determinado grupo, mas verificar como essas pessoas vivem e pensam sobre o seu corpo, sua saúde e sua doença; quais os cuidados que mantém, as formas de tratamentos utilizados em casos de enfermidades e quais as medidas que buscam para o tratamento, visto que há subjetividades no modo de conceber o corpo, então podemos dizer que tudo é uma construção, e essa não é fechada, acabada, mas está em constante processo de transformação e resignificação.
Como explica Marcel Mauss, o que a princípio parece ser uma escolha individual, na verdade são interesses coletivos que determinam como devemos ser, agir… Muitas dessas concepções culturais são transmitidos de geração a geração e outros a partir da interação entre as culturas influenciando como a pessoa irá utilizar o seu corpo.
Em várias culturas vemos exemplos diferentes de usos de técnicas corporais, pensando em alguns exemplos temos as chinesas que para diminuir o tamanho dos pés usam sapatos apertados os quais deformam os pés, tornando-os menores. Entre a Birmânia e a Tailândia as mulheres denominadas “girafas” usam um colar de latão que é uma peça única em forma de argola, os “anéis Tailandeses” servem para aumentar o pescoço, outro exemplo são as mulheres mais velhas na Papua Nova Guiné que amamentam leitões, e inclusive dormem numa peça junto com os mesmos.
Em Camarões na África, meninas passam semanas ou meses de dor para atrasar os primeiros sinais da adolescência, pois os seios começam a crescer na puberdade, então as mães e avós passam uma pedaço de madeira quente nos seios das meninas, acreditam que assim “elas não vão chamar a atenção dos homens”. Outros exemplos também encontrados aqui no ocidente são os aparelhos nos dentes, piercings, tatuagens… Podemos perceber que são todas práticas racionais das tradições locais, pois o modo como cuidamos de nossos corpos dizem um pouco de nós, mas também diz da cultura onde vivemos.
Assim a Antropologia da Saúde dentro do possível poderia contribuir não subsidiando, mas mantendo um diálogo com a biomedicina, os antropólogos fazendo etnografias, escrevendo artigos e produzindo pesquisas nas diversas àreas da saúde. Pois a biomedicina observa o corpo humano como órgãos fragmentados e não relativizam sobre o contexto do indivíduo e sobre a sua cultura.
Na biomedicina impera o etnocentrismo quando profissionais da área da saúde olham para um corpo como se esse pertencesse a uma única cultura,  a do profissional da saúde, e não levam em conta o contexto histórico, e sócio-cultural dos seus pacientes. Então a antropologia auxilia a biomedicina a observar outros aspectos que falam sobre a cultura e como  as pessoas pensam, usam e tratam o seu corpo.


Por: Carolina Albuquerque